» » » » » » Crise no governo do estado provoca fechamento de postos do Sine e gera ameaça de greve

Foto: Fotos de Pollyanna Brêtas

RIO / BAIXADA - Os 56 postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine) foram fechados por tempo indeterminado, em um novo capítulo da crise financeira que afeta o estado. Ontem, mais de 300 funcionários terceirizados que atuavam nessas unidades cumpriram o último dia de aviso prévio. Eles eram contratados pelo Instituto Brasileiro de Administração Pública e Apoio Universitário (Ibap), foram demitidos e aguardam o pagamento de três meses de salários atrasados. A dívida do governo com essa Organização Social (OS) seria de R$ 3,9 milhões, de um total de R$ 1,2 bilhão devido a todos os fornecedores, segundo dados da Secretaria de Fazenda.

Ontem, a maioria dos postos do Sine — que emitiam carteiras de trabalho, concediam seguro-desemprego e intermediavam mão de obra — já não funcionou.

— A situação é de desespero com as dívidas e as contas a pagar. Há empregados pedindo empréstimos — disse a funcionária Débora Lucena.

Desempregada há cinco meses, a vendedora Karen dos Santos, de 21 anos, foi aos Sines da Tijuca e do Centro e encontrou portões fechados:

— Entreguei currículos, mas ninguém me chama. O Sine tem um cadastro de vagas, mas está fechado. E agora?

A capixaba Luana Ribeiro, de 18 anos, está há um mês no Rio à procura de trabalho.

— Busco meu primeiro emprego, mas ninguém aceita (um profissional) sem experiência. Eu queria um encaminhamento do Sine — disse ela, que não conseguiu ser atendida na unidade do Centro, que antes recebia de cem a 150 pessoas por dia.

A universitária Luciana Estrella foi ao posto a fim de obter a carteira de trabalho. Sua via crúcis começou em março. A previsão de entrega do documento era 14 de abril.

— Hoje, fui informada de que, como o sistema do Sine não é integrado ao Ministério do Trabalho, eu teria que cancelar o protocolo e reiniciar o processo lá. Mas não há vagas de agendamento no site do ministério para o próximo mês.

Segundo Ministério do Trabalhou, o repasse de R$ 8,9 milhões ao estado previsto para esse ano depende de prestação de contas do governo.

Vigilantes também vão parar

A crise que atinge o estado pode afetar a segurança do Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Urca, e de pelo menos 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no Rio, na Baixada Fluminense, em Niterói, em Itaboraí e em São Gonçalo. O Sindicato dos Vigilantes do Município do Rio afirmou que os profissionais ameaçam fazer uma paralisação, amanhã, caso não recebam o salário de abril, que deveria ser pago até 8 de maio. A greve poderá afetar ainda outra unidade federal, o Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into).

O sindicato informou que comunicou à empresa Angels, que terceiriza a vigilância no Campus da UFRJ, o Canecão e o Into, e ao Grupo HBS, contratado para atuar em dez UPAs, sobre o risco de paralisação.

Procurada, a assessoria do Grupo HBS admitiu que enfrenta problemas devido à inadimplência do governo do estado, que não pagaria a empresa desde dezembro. A dívida acumulada seria de quase R$ 3 milhões. A prestadora de serviços, que mantém cerca de 200 vigilantes nas UPAs, declarou que até o fim de maio pagará os salários. Ninguém foi encontrado na empresa Angels. A Secretaria de Saúde informou que trabalha para regularizar os pagamentos.

Secretaria de Educação começa a retirar aparelhos de ar-condicionado das salas de aula, mas volta atrás

A Secretaria estadual de Educação do Rio resolveu suspender a retirada dos aparelhos de ar-condicionado das escolas da rede, após a notícia ter sido veiculada pela imprensa. De acordo com uma nota enviada pela pasta, por e-mail, “o percentual de desconto a ser concedido à empresa prestadora do serviço, para atender às adequações orçamentárias, está em fase de negociação”.

A desistência ocorreu após “O Dia Online” noticiar que a pasta tentava cortar gastos com energia elétrica, permitindo que fossem retirados até 50% dos aparelhos de ar-condicionado das salas de aula.

Segundo a reportagem, as unidades que tiveram aparelhos retirados seriam Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) da Zona Oeste da capital. Na lista, estariam o Ciep 336 Octávio Malta, na Rua Frei Timóteo s/nº, em Campo Grande; o Ciep 224 Tarso de Castro, na Estrada Sargento Miguel Filho s/nº, em Vila Kennedy; o Ciep 183 João Vitta, na Avenida Canal Três s/nº, em Santa Cruz; e o Ciep 244 Oswaldo Aranha, na Rua Princesa Leopoldina, em Realengo.

Terceirizados da Saúde não recebem salário

Funcionários da Comlurb têm dado plantão no Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, e no Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (Iecac), no Humaitá, onde as equipes de limpeza pararam de trabalhar por falta de pagamento. Após flagrantes feitos nessas unidades, no início da semana — de lixeiras transbordando e salas de atendimento imundas —, a situação parecia contornada, ontem. Apesar da solução emergencial adotada pela Secretaria estadual de Saúde, funcionários de empresas terceirizadas permanecem sem pagamento.

No Iecac, além do pessoal da limpeza, funcionários que trabalham na cozinha da unidade estão com os salários atrasados.

— O pagamento deveria ter saído no dia 8, mas, até agora, nada. No mês passado, recebemos só no dia 27. Há três meses, não temos tíquete-alimentação. O dono da casa que alugo pediu para conversar amanhã (hoje), porque quer que eu saia do imóvel. Não tenho conseguido pagar o aluguel em dia e não sei para onde vou com meus dois filhos. A empresa recebe o pagamento do Estado com multa, mas e nós, funcionários, como ficamos? — desabafou a funcionária da cozinha do Iecac, pedindo anonimato.

A Secretaria estadual de Saúde afirmou que está atuando, junto à Secretaria de Fazenda, para regularizar repasses e pagamentos atrasados.

Superlotação permanece

No Rocha Faria, apesar de a limpeza estar em dia, a superlotação permanece. Ontem, Vanessa Marciana Quirino, de 20 anos, grávida de nove semanas, deu entrada no hospital com dor e sangramento:

— Estou há mais de uma hora esperando e não tem previsão de atendimento. É um descaso. É muito paciente para pouco médico. Desisti de esperar e vou tentar ser atendida em outro lugar.

No Carlos Chagas, José Ronaldo de Oliveira, de 57 anos, passou a madrugada vigiando a enteada, internada numa prancha, no corredor, para evitar que ela caísse:

— Minha enteada está com o pé e a coluna fraturados. Ela ficou a noite toda gritando de dor. Só depois de reclamar muito, trocaram a prancha por uma maca, mas continuou no corredor.

No CTI do hospital de Marechal Hermes, o ar-condicionado está quebrado há uma semana. A direção da unidade informou que o sistema deve voltar a funcionar até o fim desta semana.

A Secretaria de Saúde afirmou que o Rocha Faria e o Carlos Chagas são unidades de urgência e emergência, que operam em regime de portas abertas e que, frequentemente, recebem uma demanda superior às suas capacidades instaladas. Declarou ainda que, para garantir o atendimento, quando necessário, todos os espaços existentes na área da emergência são utilizados.

Estado admite cortes por queda de arrecadação e secretarias se justificam

A Secretaria estadual de Fazenda admitiu atrasos no pagamento a fornecedores e declarou que vai apresentar, nos próximos dias, um cronograma para quitar os débitos. A pasta atribui as dificuldades à queda nos preços do barril do petróleo, à desaceleração da economia, à redução dos royalties e à crise da Petrobras. A Secretaria de Planejamento não se pronunciou sobre os cortes. A de Trabalho informou que faz o atendimento em cinco bases do Rio Poupa Tempo e que já foi aberto o edital de uma nova licitação para a contratação de outra OS.

O Ministério do Trabalho declarou que prioriza a concessão de seguro-desemprego a quem foi demitido a mais de 90 dias. Entre as alternativas de atendimento estão as unidades municipais do Sine (Estrada do Guerenguê 1.630, em Jacarepaguá; Rua Camaragibe 25, na Tijuca; Estrada do Dendê 2.080, na Ilha; e Rua Barcelos Domingos 162, em Campo Grande), além do posto da Caixa Econômica Federal, na Avenida Rio Branco 174, 19º andar, para emergências. O Ibap não se pronunciou.
Via: Extra

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