» » » » Território Baixada encerra encontro com ativistas culturais em Duque de Caxias

Secretária da Diversidade do Ministério da Cultura Ivana Bentes propôs organização em rede dos grupos da região

RIO - Para alguns artistas, o encerramento do Território Baixada, na noite de ontem, foi mágico. A presença da secretária de Cidadania e Diversidade do Ministério da Cultura, Ivana Bentes, reuniu na Biblioteca Municipal Governador Leonel de Moura Brizola, em Duque de Caxias, diversos produtores, pesquisadores, artistas e ativistas para um debate sobre políticas públicas para a região. Entre os secretários de cultura da 13 cidades da Baixada, apenas o subsecretário de Duque de Caxias, André Oliveira, esteve presente.

A discussão foi dividida em duas partes. A primeira contou com uma mesa composta pelo cineclubista iguaçuano Diego Bion; o rapper e presidente da Lira de Ouro, em Duque de Caxias, Alan de Souza, o P, 10; o pesquisador Nielson Ribeiro; Jorge Braga, coordenador do grupo teatral Código de Japeri; Dida Nascimento, fundador do Espaço Donana, em Belford Roxo; e a produtora Dani Francisco, que fez a mediação.

Bion iniciou o debate falando da ausência de equipamentos federais na Baixada, enfatizou a riqueza cultural da região e deixou claro a falta de apoio do poder público. E questionou a secretária: “O que fazer para solucionar essas questões?”. P, 10 focou no problema dos pontos de cultura para a prestação de contas e questionou sobre a Lira de Ouro, que existe há 58 anos, não ter conseguido ser um ponto de cultura devido às dificuldades burocráticas na hora de apresentar a contabilidade, problema enfrentado por muitos.

Fórum debateu propostas para a cultura da região
Foto:  Danilo Sergio

O pesquisador Nielson Ribeiro abordou a questão da descontinuidade e perspectivas da Política Nacional de Cultura Viva e indagou: “Se o governo tem boa vontade com o futebol, cadê essa mesma boa vontade com a cultura com os pontos de cultura?”. Por sua vez, Jorge Braga quis saber das perspectivas em relação aos editais e falou da carência de uma capacitação formal na Baixada. “Não temos uma educação formal. Não há cursos de arte cênica nas faculdade da região”.

Dani Francisco agitou o debate. A produtora, uma das responsáveis pelo evento, deixou claro que está cansada de mandar convites para o ministro e para o presidente da Funarte, por exemplo. Dani também aproveitou pra ressaltar a importância da presença da secretária no debate. Ela falou das dificuldades de se construir pontes com a esfera pública. “Não somos recebidos. Não há um diálogo. Vamos para as praças para realizar mostras e festivais e saímos em camburões. É uma burocracia muito grande.” Por fim, perguntou à Ivana quais mecanismos o Minc aponta para pressionar a esfera pública. “Os gestores só existem para figurar, tem que cobrar!”.

Para finalizar a primeira rodada, Dida também falou da carência de espaços e da efervescência cultural da região. Ele ressaltou a falta de teatro em Belford Roxo e a precariedade da cidade, que lutou tanto para se emancipar. Além de discutir a questão dos artistas precisarem ir para o Rio para se sentirem artistas. “Tem que construir aqui pra sair e não o contrário”. E solicitou que o governo federal olhe mais para as prefeituras. “Traga coisas. A demanda aqui é grande!”, finalizou.

Após ouvir com atenção cada um e fazer várias anotações em seu bloquinho, Ivana Bentes tentou responder a todas as questões. Ela afirmou acreditar que hoje as coisas podem ser feitas, que no passado não havia diálogo, mas que as coisas estão mudando. E pediu para que todos os presentes pensassem no que é decisivo e estruturante nesse momento. Ivana também se colocou a disposição para fazer a interlocução com o poder público.

A segunda rodada deu voz a plateia, e foi bem agitada. Os artistas aproveitaram a oportunidade para mostrar a difícil realidade de se produzir cultura na Baixada Fluminense e a dificuldade do diálogo com a esfera público. O músico Marcelo Peregrino falou da importância de se pensar em como ter uma interlocução direta com o Minc e não deixou passar batido, Marcelo chamou a atenção para a ausência do poder público no evento: “É uma vergonha, só temos a presença do subsecretário de cultura de Caxias aqui”.

A produtora cultural Giordana Moreira trouxe para o debate a falta de critério de se ocupar os espaços, as casas de culturas e até mesmo as praças: “Não há regulamentação e é impossível dialogar. É geral, todos os grupos passam por isso. Em Nova Iguaçu, o secretário não nos recebe, simplesmente, por não querer”. Fábio Mateus, da ong Encontrarte – Encontro de Teatro da Baixada Fluminense – abordou a falta de reconhecimento. “Todo mundo trabalha e tem reconhecimento. A população já nos reconhece, só o poder público que não”.

Ivana foi solicita durante debate, disse reconhecer cada iniciativa e pediu que a rede se organizasse. “Vocês precisam se articular em rede. Juntos, a pressão política é maior!”. E deixou claro: “Tem que forçar o diálogo!”. A secretária também falou da importância de se ocupar os espaços ociosos das cidades. “Temos que mapear esses espaços e ocupá-los, pois são muitos”. E desafiou: “Quero ver uma demanda estruturada da Baixada Fluminense lá no Minc”.

Alunos da Unigranrio lançam aplicativo cultural da Baixada Fluminense

O aplicativo Cultura BF, idealizado pelo animador cultural da Baixada, Heraldo HB, e pelo jornalista e professor Arthur William, e produzido pelos alunos da Unigranrio, também foi lançado no encerramento do Território Baixada. “Temos o compromisso de criar ferramentas para serem usadas pelo movimento”, diz Arthur, que logo dá voz a umas das alunas envolvidas no projeto. “Admito que não sabia que tinha tanta cultura na Baixada”, afirma a aluna de jornalismo, Fabiane Muniz, que se baseou no artigo ‘Redes colaborativas e precariado produtivo’ da própria Ivana para se expressar: “Quem era visto como carência, hoje é visto como potência”.

Encontro reuniu diversos produtores, pesquisadores, artistas e ativistas da região
Foto:  Danilo Sergio

O novo sucesso dos apps gratuitos para smartphones e tablets é um dispositivo que analisa a localidade geográfica, facilitando a vida de quem tem pressa para localizar museus, bibliotecas, teatros, cinemas, lonas culturais, escolas e blocos de samba, feiras culturais, cineclubes, folclores, parques, escolas de dança, trilhas, secretarias de cultura, festas, shows, entre outros. O aplicativo exibe ainda uma agenda semanal dos principais eventos artísticos, em vídeo e em texto.

BH conta que a ideia do mapeamento é antiga. “Desde 2000 que desejo mapear as iniciativas culturais, mas inicialmente o foco era Caxias, só mais tarde que virou Baixada Fluminense”. E lembra que o Arthur também estava fazendo esse mesmo trabalho. “Quando o Arthur entrou para a Universidade, enfim, pudemos colocar em prática, pois lá existem recursos pra isso”. Na elaboração do projeto, eles também utilizaram mapeamentos de outros companheiros do movimento, como o do publicitário Wesley Brasil e o da designer Elaine Rodrigues. “É uma reunião de vários mapeamentos, o diferencial é que ele está no celular e na web”.

Sobre o Território Baixada

Idealizado pela produtora cultural Terreiro de Ideias: Arte, Comunicação, Cultura, a segunda edição do Território Baixada teve início no dia 30 de abril, Dia da Baixada Fluminense, e homenageou uma importante uma iniciativa cultural da região: o Centro Cultural Donana, que há três décadas é celeiro de bandas de reggae, soul e rock em Belford Roxo, sem falar das inúmeras manifestações que continuamente são oferecidas gratuitamente para o bairro de Piam e adjacências como Capoeira, Cineclube, Artes Visuais, entre outros.

O Território Baixada realiza um ciclo de encontros entre artistas, coletivos, pesquisadores e produtores em torno de debates, laboratórios e apresentações estéticas que pensam e refletem os processos de criação do território Baixada Fluminense. O projeto parte da necessidade de conectar realizadores e obras desse grande mapa, além de fortalecer os trânsitos e os intercâmbios entre outros territórios, linguagens e atores.
por: Marcelle Abreu
ViA: O DIA

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