» » » » » » » Moradora da Baixada Fluminense faz refeição para moradores de rua, além de planejar doações e festas


O que é sentir fome? Como é não ter algo para comer quando o estômago grita por comida? Esses foram os questionamentos que Jane da Silva, de 47 anos, se fez após uma cirurgia. Ao ter problemas com um balão intragástrico, ela não pôde comer, nem ao menos engolir.

Ao sentir fome de verdade, a moradora de Meriti começou a pensar em quem vive nas ruas. Com isso, surgiu a sopa da Tia Jane, que é distribuída por áreas carentes da Baixada e do Rio uma vez por mês.
— Eu tinha quem me desse comida, mas não conseguia engolir. Foi horrível. Passei dias pensando nos moradores e juntei algumas pessoas para distribuir uma sopa bem regada de nutrientes — lembra.

A iniciativa ia durar apenas um dia. Porém, ao conhecer a dura realidade daqueles que ficam remexendo no lixo em busca de comida e usam a saliva como água, ela não conseguiu mais parar de cozinhar.

— Uni forças com os grupos ‘Voluntários do bem’ e ‘Tribos que doam amor’ e começamos a produzir o sopão — conta Jane: — O Jorge Garcia, o Juninho, fazia trabalhos em um orfanato e também abraçou a minha causa.

Segundo Jane, o local mais necessitado da Baixada é a Favela do Lixão, em Caxias. Já no Rio, a maior concentração de moradores de rua está na Central
— Conversamos, abraçamos e tratamos todos bem. Eles já conhecem o meu sopão — diz.

Do portão da casa é possível ver os panelões na mesa da cozinha. O corredor está tomado por brinquedos e livros. Na sala, ao lado da estante e do sofá, mais sacolas. Na casa da Tia Jane, os móveis perderam o espaço para as doações.

— Desde o começo do sopão, as pessoas deixam roupas e brinquedos. Daí, também entregamos outras coisas quando saímos — ressalta Juninho.

Não tem data certa para a distribuição: acontece quando há doações suficientes. Jane, então, acorda às 5h30 e tudo fica pronto às 16h. Às 23h, ela sai com os voluntários e só volta no dia seguinte.
— A madrugada é a hora mais difícil. Há silêncio e muita fome — completa a dona de casa.

Doações e voluntários são bem-vindos

O trabalho é árduo e exige muito de Jane e voluntários. Mas não há dinheiro que pague a sensação no fim da entrega.

— Estamos doando nosso tempo para aqueles que precisam. Queremos saber nomes e histórias. Muitos moradores querem conversar e receber abraço. Não temos preconceito nem nada. É pura entrega — destaca Jane.

Além da sopa e doações, Jane e os voluntários fazem festas comemorativas em Meriti, como Natal e São João. Para ajudar nas doações ou participar do grupo, basta entrar em contato pelo telefone 99333-2000.

Por: Tamara Laila / Extra
Fotos: Mazé Mixo

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